Quando retornamos ao Éden, especificamente no tocante relacionamento entre o e o homem a mulher, percebemos que quando foram criados havia muita liberdade entre eles, pois como está descrito em Gênesis 2:25, "ambos estavam nus e não se envergonhavam". Ou seja, não havia entre eles qualquer tipo de tabu em relação ao fato de estarem nus, pois se sentiam à vontade um com o outro. E quando nos deparamos com os dias atuais e o relacionamento sexual entre muitos casais, notamos que o pecado trouxe conseqüências que mancharam a relação de intimidade dentro do casamento. Percebemos que a queda do homem trouxe a vergonha e a liberdade que então existia foi roubada. A idéia de pecado tornou-se tão forte que o homem e a mulher abriram mão da intimidade presenteada no ato da criação.
O sexo passou a ser encarado por muitos casais como algo sujo, pecaminoso e os manjares que Deus criou para o nosso deleite passaram a serem vistos como atos pecaminosos e libidinosos. Todavia, quando novamente retornamos ao gênesis da criação, percebemos que Deus, em hipótese alguma, castigou o homem retirando-lhe o prazer do ato sexual. O pecado trouxe as suas conseqüências sim, todavia, tais conseqüências são aquelas que conhecemos bem "E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás" (Gênesis 3:16-19). Ou seja, não vemos, em momento algum, o Senhor nos proibindo de usufruir os prazeres que o sexo nos proporciona, desde que estes sejam vividos dentro do casamento.
Por que então tanta vergonha? Por que tantos casais não desfrutam das maravilhas do ato sexual? Neste sentido, notamos que a religiosidade é a grande causadora de toda esta confusão. Pois ainda que a Palavra de Deus em nenhum momento afirma que é proibido desfrutar dos prazeres do ato sexual em toda a sua plenitude, a religiosidade surge com as proibições levando o casal a não viver as delícias que Deus criou para a sua plena alegria. Para se ter uma idéia, alguns ainda pensam que o homem não pode ver ou apreciar as curvas e o corpo de sua esposa e vice- versa. Neste sentido, já ouvi falar de casais que praticam o ato sexual com restrições absurdas, as quais não convém mencionar de tão descabdas. Muitos até pensam que tudo tem de ser feito muito rápido e sem demora, pois para eles, o sexo é um ato pecaminoso.
Alguns até dizem que o casal não pode dormir despido de suas vestimentas, pois a qualquer momento Jesus pode voltar e os encontrará sem vestimentas. Existem mulheres, inclusive, que têm vergonha de estarem nuas na frente de seus esposos. E para muitos, o orgasmo é só para o homem, pois a mulher só convém servi-lo e dar a luz aos filhos. E por mais que se diga que os tempos mudaram, esta realidade ainda existem em nossos dias e é a grande causadora de muitos adultérios. Pois o homem ou a mulher, cristão ou não cristão, vive a procura de dar e de receber o prazer sexual em sua plenitude, pois isto faz parte de sua natureza. E quando não o encontram dentro de seu casamento, muitas vezes acabam sendo tentados ao se depararem com alguém ou com algumas situações que possa proporcionar-lhes intenso prazer sexual.
Por este motivo, é importante que estejamos de olhos abertos quanto a esta questão. Deixemos de lado de toda religiosidade que nos impede de usufruir os prazeres de uma vida a dois. Precisamos ter em mente que o casamento é uma grande benção e o sexo faz parte de toda esta felicidade. Lembremo-nos do que nos diz o Senhor em sua Palavra: "Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros" (Heb. 13:4). E acima de tudo, não consideremos impuros os manjares que o Senhor criou e santificou para o nosso prazer e alegria. Tenhamos em mente que o sexo não é pecado quando vivido debaixo da presença de Deus. Assim, vivamos com intensidade todas as suas delícias. Deixemos a vergonha de lado e sejamos sem vergonha no bom sentido na palavra.
"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado" (I Tim. 4:1-5)
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