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O QUE FAZER DIANTE DA CRISE POLÍTICA?
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Para quem prometia fazer a esperança vencer o medo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de entrar para a história do Brasil como um dos mais lamentáveis períodos da trajetória republicana recente.

Não me lembro de pelo menos ter lido na história se houve um período, tão nebuloso como este no Senado Federal...

Apesar da enraizada tradição de corrupção no nosso país – em qualquer esfera de poder, diga-se –, nestes últimos dias aconteceram tantos escândalos no senado de proporções tão diversificadas, envolvendo tantas pessoas...

E isso proporciona uma CRISE sem precedentes.

O Grande lance da crise no cabedal das denúncias que se alastra como incêndio, é o efeito dela sobre a população brasileira.

Há um espírito de desapontamento, desesperança, desânimo, um sentimento de frustração e inconformismo tão grande que temo por uma ruptura institucional de proporções imprevisíveis.

A inviabilização de um governo eleito com enorme apoio popular, fato impensável na década de 90, quando Lula se apresentou como “candidato do povo”, ganha tons de uma tragédia nacional.

O Parlamento virou uma Casa de Horrores, onde a cada dia aparecem denuncias e “denuncismos” sem pudores, respeitos e manifestando um espírito de revanchismo que impermeia o Senado.

Lembra na nossa fase criança, quando se brigava por causa do pedaço de goiabada e se ameaçava o outro dizendo contar para todo mundo quem roubou a goiabada da geladeira?

Pois é, assim está nosso Senado.

Já há quem considere o impeachment, ou a renúncia de Sarney, (atual presidente do senado) uma questão de tempo.

O turbilhão começou em junho, a partir de uma entrevista bombástica onde se denunciou os “Atos Secretos” do Senado.

Pois de lá para cá, o termo não saiu mais da imprensa nem da boca do povo. À acusação de que havia senadores de diversos partidos ganhando propina para apoiar a coalizão partidária que sustenta o governo Lula seguiram-se uma infinidade de denúncias, indícios, suspeitas, chantagens e, sobretudo, provas de que algo vai muito mal neste nosso país tropical.

A figura do Senador Sarney, esta desgastada e desacreditada, depois que ele foi acusado de usar ato secreto para a nomeação do namorado de sua neta; de obter favorecimentos através de atos secretos; de favorecer o neto em operações de empréstimo a funcionários do Senado; de desvio de recursos públicos na Fundação Sarney e de mentir ao negar ter ligações com a administração da Fundação José Sarney; omitir casa de R$ 4 milhões da Justiça e de ter conta ilegal no exterior, gerenciada por “laranjas”; vender terras nunca registradas em seu nome, evitando o pagamento de impostos; ter se beneficiado na operação Boi Barrica; e há quem o acusa de ser condescendente com a publicação de atos secretos de outros senadores; usar o advogado do Senado no Supremo Tribunal Federal em ação envolvendo causas próprias...

Isso tudo virou uma espécie de mar de lama do Senado.

E pensar que a bandeira antiga do PT e do próprio Lula era dizer não as maracutaias – termo usado por ele próprio, nos seus tempos de oposição, para definir os desmandos do “andar de cima”.

Ainda não se faz idéia de qual será o desfecho do desastre ético que assola o senado e como conseqüência o país, mas diversos segmentos têm se articulado para cobrar responsabilidades e evitar, a todo custo, que o escândalo se transforme em mais uma imensa e indigesta pizza.

Aliás, poucas vezes se viu tão grande comoção popular em torno dos descaminhos do poder. Os lances mais espetaculares das investigações, como os depoimentos dos principais acusados nas sessões parlamentares do senado, têm atraído tanta atenção quanto jogo da seleção de futebol.

E nós, a Igreja???

Creio que no coro de indignação popular, os evangélicos – grupo até bem pouco tempo considerado alienado – deveriam se articular para demonstrar sua revolta contra tudo isso que está aí.

É bem verdade que diversas entidades confessionais e sociais ligadas a denominações protestantes têm divulgando documentos e realizado atos de repúdio.

Precisamos levantar nossa voz profética e dizer um NÃO bem grande, nós, pastores e líderes deveríamos incluir o tema contra a corrupção na agenda de discussão de nossas igrejas e até em nossas pregações.

Com uma vida ilibada e de fato caminhando em “santidade como estilo de vida”, entendo que precisamos manifestar a Glória de DEUS zelando pela ética na vida, na sociedade e na política.

O conteúdo de nossas pregações deveria abranger o nosso repúdio à corrupção que está sendo denunciada.

Acredito que o que nós queremos e o que a sociedade espera é que o presidente Lula, o Senado Federal, honre as expectativas da população sobre o seu governo, sobre os mandatos para os quais foram eleitos e que todas as denúncias de corrupção sejam investigadas e os envolvidos, sejam punidos de forma exemplar.

O Povo Brasileiro pede a realização de mudanças na política econômica, priorizando as necessidades do povo, e construção de um novo modelo de desenvolvimento, além da realização de uma ampla reforma política democrática.

Talvez abordar o assunto “reforma” diante do carcomido sistema político que não deseja qualquer mudança possa parecer inútil, mas acredito que tudo que está sendo revelado é oportunidade para que profundas transformações ocorram.

Tal processo, evidentemente, passa pela Igreja.

Percebo que as igrejas estão perplexas com tudo o que está acontecendo, mas ainda não saibamos exatamente como nos posicionarmos.

O que precisamos fazer é estar atento aos movimentos que estão surgindo, ações que não contradigam os princípios do Evangelho, e participar deles.

A meu ver, a ação também precisa começar no processo eleitoral. Os cristãos devem estar atentos aos parlamentares em que votaram e manter contato com eles, cobrando.

E, principalmente, ORAR pedindo a Deus nos cultos que ilumine, traga luz a todo esse contexto sombrio que estamos vivendo, esclarecendo e revelando tudo o que está escondido.

Lamentamos que a história brasileira venha sendo marcada pela prática da apropriação do Estado para fins opostos aos interesses da sociedade, onde é desconsiderado o exercício da função pública em benefício do povo. Não há nenhum pressuposto ético na fé cristã que nos impeça de exigir que as denúncias de corrupção que envolvem o atual senado sejam apuradas.

Precisamos de mobilização dos evangélicos em nosso país. Isso é ótimo, pois precisamos combater o denuncismo tão comum em épocas como esta, investigar com isenção tudo que está acontecendo e não deixar a desestabilidade tomar conta da nação.

Chamo a sua atenção e defendo que a democracia é uma “bênção de Deus”, mas entendo que a grande desencadeadora da atual crise política é a tese de que os fins justificam os meios.

A insistência na tese da chamada governabilidade levou o PT a se alinhar com legendas fisiológicas.

De fato, hoje Lula tornou-se refém de figuras como o senador peemedebista José Sarney, cujo passado na política contraria tudo que o PT sempre defendeu junto ao eleitor. Boa parte da responsabilidade pela guinada ideológica cabe ao ex-deputado e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP).

A Igreja Evangélica terá um papel preponderante, sobretudo se educar seus membros politicamente, para serem equilibrados e politizados.

Necessitamos de um processo de crítica interna (dentro da Igreja) para avaliarmos se não faltaram iniciativas por nossa parte em orientação ao governo no combate à corrupção.

Essa onda de corrupção já era esperada, era uma questão de tempo para que tudo isso viesse à tona.

Precisamos rever nosso ideal de justiça, o mesmo que nós evangélicos defendíamos, é triste ver tudo sendo engolido por tantas denúncias, é difícil não se indignar.

Mas é a chance de nos organizarmos e sermos uma voz que ecoe na sociedade na busca de justiça social e na apuração das denúncias de corrupção.

Somos VOZ DE DEUS para esta sociedade.

Em nós não pode haver desesperança, pois “nossa Esperança é a Vinda de Jesus!!!” Aleluias!!!

A ética e a moralidade podem e devem ser vividas por aqueles que professam JESUS CRISTO como Senhor e Salvador.

Nós Igreja do Senhor Jesus Cristo, temos a responsabilidade de fazer diferença...

Não podemos nos conformar com este presente século, mas transformá-lo com a renovação de nossa mente, com um coração puro, com uma consciência cristã, comprometida com a implantação do Reino de DEUS em nós e através de nós.

A resposta para crise, é a nossa vida no Altar, com testemunho e autoridade para dizer em alto e bom som: SÓ O SENHOR É DEUS!!!

Não podemos nos calar...

Não podemos ficar omissos...

Não podemos nos esquecer destes fatos nas próximas eleições...

REVERENDO RENATO NEVES
é bacharel em Teologia e pastor da Igreja Metodista Wesleyana em Rua 20, Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias - RJ. De 2003 a 2008, pastoreou a IMW em Figueira (Distrito de Mantiquira).Durante 04 anos (1994 a 1997), foi Diretor Regional da Juventude Wesleyana.

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